domingo, 7 de dezembro de 2014

“O cheiro da chuva acalma.


“O cheiro da chuva acalma, declina o peito e aprofunda o teu perfume na minha pele. Cortinas ensolaradas. O acordar das nuvens, tuas mãos pesadas, intocáveis. Me salvo, te salvo meu poeta, recito Camões que grita a dor que desatina sem doer. Debruço em teus versos, aprofundo no cansaço da saudade de te ter, amar e morrer. Vestigo o impossível, dedilho o inquebrável maldito do desejo sem você. Quisera a flor teu espinho, quisera a dor o amor, quisera eu ter você. O mapa mundi impõe a distancia, nossa poesia declara a guerra. Sou parte do inatingível, o andar solitário entre nós, sou pura imaginação. Você é meu alívio, meu precipício, as asas do meu coração invisível.”
— Elisa Bartlett.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Encontramos




Nós encontramos o amor,encontramos o amor em um lugar sem esperança,em um lugar que o amor não predominava,que o amor não existia,em meio a guerras,combates,lutas e derrotas,um lugar que mesmo que o céu caísse em nossas cabeças,ali,bem ali,nós encontramos o amor,em uma amizade de anos,em um lugar de paraísos artificiais,entre vampiros e lobos,entre armas e flores,entre caricias e abraços,entre corpos em pedaço,numa noite de lua,andando na chuva,entre baseados e abraços,num canto,numa floresta,num jardim,num bar,na rua,na lua,na chuva,eu me entrei na tua.


Laryssa Carsi
Amo escrever,por incrível que pareça,eu nunca tinha terminado de ler um livro sequer até meus 18 anos.Sou estudante de psicologia,por ironia do destino.Adoro escrever poemas e o que vier a minha cabeça.Sou geminiana,adoro bater papo e conhecer novas pessoas,comunicativa e me adapto a todo tipo de ambiente e pessoas.Adoro ouvir uma boa história,então,se você tem uma história boa para contar,estou ansiosa para ouvi-la.Sou sincera e irônica as vezes.Não gosto que mintam para mim,mas as vezes é preciso mentir para ter o tal "jogo de cintura".Amo as artes,desde a escrita,música, até arte pintada e esculpida em quadros,paredes e tecidos.
@laryssacarsi

“Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.”


“Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa. Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder.”
— Steve Jobs.

Mas ela encontrou você.


“Mas ela encontrou você. Você, que não é príncipe. Você, que não tem cavalo branco. Você, que é humano. Você, que também erra. Você, que é homem, mas chora. Você, que nem sempre é valente e corajoso. Você, que também tem defeitos. Você, que ela ama assim, exatamente do jeito que você é: perfeito, mesmo com todos seus defeitos.”
— Desconhecido. 

Hoje eu sinto preguiça de chamar de amor.


“Hoje eu sinto preguiça de chamar de amor, rir de piadas sem-graça, enfrentar a vermelhidão das bochechas ao conhecer a família, do primeiro olhar – realmente – sincero depois de um beijo. De dar boa-noite, ligar quando acordar mesmo com os olhos pequenos de sono, o primeiro silêncio confortável, o primeiro ciúmes desnecessário e renovador. Da primeira carta, do primeiro te amo. Socorro, que preguiça do te amo. Preguiça de não sentir preguiça disso tudo e depois sentir preguiça de você, de mim, da gente. A preguiça da preguiça. Ela por si só. Sem rodeios.”
— Recontador. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Talvez eu - Laryssa Carsi


Talvez eu não saiba fazer poemas.
Talvez eu não tenha amado tanto.
Talvez eu não tenha me entregado tanto a quem deveria,ou talvez me entregado a quem não merecia.
Talvez eu não saiba viver intensamente por ser racional demais,ou talvez seja só teimosia,minha velha amiga.
Talvez eu seja fraca demais,ou forte demais.
Talvez eu não saiba amar de forma digna quem me ame,talvez eu seja fria,ou apenas distraída demais.
O talvez não é um sim e nem é um não.O talvez pode ser extraordinária ou talvez seja só um talvez.




Laryssa Carsi

Amo escrever,por incrível que pareça,eu nunca tinha terminado de ler um livro sequer até meus 18 anos.Sou estudante de psicologia,por ironia do destino.Adoro escrever poemas e o que vier a minha cabeça.Sou geminiana,adoro bater papo e conhecer novas pessoas,comunicativa e me adapto a todo tipo de ambiente e pessoas.Adoro ouvir uma boa história,então,se você tem uma história boa para contar,estou ansiosa para ouvi-la.Sou sincera e irônica as vezes.Não gosto que mintam para mim,mas as vezes é preciso mentir para ter o tal "jogo de cintura".Amo as artes,desde a escrita,música, até arte pintada e esculpida em quadros,paredes e tecidos.
@laryssacarsi

Carta de Despedida



Nunca repita que eu não tentei o suficiente. Pois eu tentei,tentei por você, por nós, não por mim.Eu tinha medo de insistir, de me machucar e sair dessa sozinha e de mãos vazias. Sem você, sem nós, sem mim. 

Mas eu insisti,persisti e olha onde estamos.Insisti porque eu te amava, porque apesar do medo, eu era confiante. Esperança era o que sobrava em mim e o que faltava em você. Covardia era o que sobrava em você e faltava em mim.Você teve tudo de mim,amor,carinho,confiança...E o que eu tive de você? Algumas palavras rudes,pessimismo,egoismo,egocentrismo...

Você diz que não é capaz de me fazer feliz,mas por um longo tempo você foi o motivo que eu tinha para ser.Me amou,me acolheu quando precisei,mas teve medo de continuar,tinha medo de si mesmo,de enfrentar seus demônios,te tornando a pessoa mais frágil do mundo.

E eu,tentei te proteger,te curar,mas você não deixou,preferiu guardar toda essa magoa do passado para si,deixando isso te dominar e então eu de mãos atadas,parti.


Laryssa Carsi
Amo escrever,por incrível que pareça,eu nunca tinha terminado de ler um livro sequer até meus 18 anos.Sou estudante de psicologia,por ironia do destino.Adoro escrever poemas e o que vier a minha cabeça.Sou geminiana,adoro bater papo e conhecer novas pessoas,comunicativa e me adapto a todo tipo de ambiente e pessoas.Adoro ouvir uma boa história,então,se você tem uma história boa para contar,estou ansiosa para ouvi-la.Sou sincera e irônica as vezes.Não gosto que mintam para mim,mas as vezes é preciso mentir para ter o tal "jogo de cintura".Amo as artes,desde a escrita,música, até arte pintada e esculpida em quadros,paredes e tecidos.
@laryssacarsi

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

FALANDO DE SÉRIE - THE FALL E DUPLA IDENTIDADE


Na primeira matéria sobre séries no Blog,vou falar sobre duas séries que deu e está dando o que falar.
Hoje estava vendo Dupla Identidade e vi muitas semelhanças com a série  anglo-irlandesa The Fall. Parece que Gloria Perez se inspirou em séries estrangeiras. Não é a primeira vez que surgem boatos (e semelhanças) de que  autores da Rede Globo se inspiram em algo já criado,como é no caso da telenovela Avenida Brasil,exibida em 2012,que se parece muito com a série norte-americana Revenge.




A primeira semelhança é a aparência entre os personagens de Paul (Jamie Dornan) e Edu (Bruno Gagliasso),um tipo comum,barba,olhos claros... Até ai tudo bem,okay?Depois vem a semelhança entre as detetives Stella (Gillian Anderson) e Vera (Luana Piovani),lindas,loiras,determinadas e solteiríssimas. E enfim as identidades dos personagens. Ambos são serial killers, matam jovens mulheres comuns e as modelam como bonecas.Porém,os dois tem suas vidas normais,se comportam como pessoas normais,pai de família (no caso de Paul) ou noivo atencioso (no caso de Edu) eles levam uma vida sem que desconfiem de suas duplas identidades.


Quem já vou The Fall e vê Dupla Identidade,consegue achar as semelhanças,principalmente quando dois policiais se envolvem e uma das vitimas consegue sobreviver ao ataque em ambas as séries.
Apesar de uma ter inspirado a outra são duas séries ótimas,que eu adorei e estou adorando. The Fall infelizmente só tem apenas cinco episódios,mas que a cada um somos contagiados com os rumos da série. Então se você vai ficar em casa esse fim de semana,prepara a pipoca e o coração,chama as amigas e se delicie com Jamie Dornan.
Até a próxima,BJU.
Aqui está o link da série The Fall http://megafilmeshd.net/series/the-fall.html

Por Laryssa Carsi

Por que ele estragou tudo?

- Na TV está passando luta. Ela gostava.
- Caramba, como ele gostava de ouvir essa música comigo.
- Será que ela ainda sente a minha falta?
- Nessa hora, ele deve estar em alguma festa com alguma vadia que ele conheceu.
- Mas ela já deve estar com outro, assistindo aqueles shows que gostávamos.
- Acho que vou ligar pra ele?
- Ela nunca mais me atendeu.
- Não, não quero atrapalhar a festa dele.
- Vou ler aquelas cartas que ela me mandou enquanto estávamos juntos.
- Caramba, aquelas fotos na praia são lindas.
- Saudades dela xingar a TV, torcendo comigo.
- Por que ele estragou tudo?
- Por que ela não deixou eu tentar mais?
- A casa fica tão vazia sem ele.
- Minha cama de solteiro está enorme sem ela aqui.
- Vou fazer um miojo.
- Acho que vou pedir pizza.
- Ele amava fazer miojos pra mim.
- A gente amava comer pizza juntos.
- Aonde será que ele está?
- Será que ela ficou com aquele amigo que sempre dava em cima dela?
- Tenho certeza que ele esta se divertindo com aquela “amiguinha” dele.
- Queria viajar com ela neste feriado.
- Era pra gente viajar juntos.
- Acho que vou ligar pra ela.
- Se ele ligar, dessa vez eu vou atender.
- Não. Ela não vai me atender.
- Será que aqui meu celular tem sinal?
- Vou desligar o celular.
- Droga. Tem sinal, mas ele não liga.
- Vou dormir para não pensar em como ela está se divertindo agora.
- Eu sozinha em casa e ele gargalhando por aí.
- Vou sonhar com ela.
- Espero não sonhar com ele.

-Hugo Rodrigues

Meu canalha interior



Meu canalha interior transborda por meus olhares carnívoros. Por meus lábios entorpecentes. E por meus caninos envenenados. Meu canalha interior grita em silêncio ao ver pernas de fora, decotes exagerados e bocas carnudas. Ele não ama as corretas, nem as puras, muito menos as santas. Meu canalha interior se apaixona repentinamente por pequenas falsas, dissimuladas e putas que não cobram em moedas. Me dão seu corpo em troca de carinhos rasos, de puxões fortes e de palavras insanas.

Meu canalha interior lê Bukowski, John Fante e Nelson Rodrigues. Odeia comédias românticas melosas demais ou versões do Nicholas Sparks. Meu canalha interior, às vezes – ou sempre – , me odeia também. Odeia meu jeito são de lidar com as pequenas. Meu canalha interior quer o sexo – com amor, sem amor, com nome, sem nome, tanto faz. Tem que haver tesão apenas, ele diz.

Meu canalha interior vive por minha roupa de baixo. Num canto perdido e escondido do mundo. Mas reina sobre mim, vez em quando. Uma vodca à mais. Um palavrão aqui, uma mordida de lábio acolá. Salta por minhas retinas e agarra, mesmo que apenas em meu inconsciente, as pequenas de uma vez só. Eu tremo. Eu troco de assunto. Eu chamo o garçom, o padre, Deus, minha mãe. Sei lá, porra.

Meu canalha interior não sente frio, mas adora quando está envolvido pelos braços quentes das mulheres. Meu canalha interior sente fome feminina. Hidrata-se de suor e gozo. Alimenta-se de beijos, mordidas e tapas. Meu canalha interior descarta as meninas que têm medo do pecado. Mas, ama sem pudor, aquelas que o chupa e o faz sua bomba de oxigênio particular.

Meu canalha interior me xinga toda vez que eu digo um “eu te amo” sincero, toda vez que eu me declaro a alguém ou nas vezes que rejeito sexo por fidelidade aos meus sentimentos por outra. Às vezes, meu canalha interior se disfarça de mim, que nem consigo percebê-lo. Quando acordo, já estou nu ao lado de uma desconhecida com batom borrado.
-Hugo Rodrigues

Te imagino em poses e sorrisos.


“E te imagino em poses e sorrisos, voz grave e cabelos desgrenhados, preso nas minhas fantasias mais loucas e movimentadas. Numa delas sou um bichinho invisível, com asas, que adentra tua casa e te observa em segredo. Faço o contorno do teu corpo todo com os olhos, parada contra a parede do teu quarto, imóvel, enquanto tu te atiras na cama. Cansado. Tu olhas para o teto imaginando mil coisas, memórias, compromissos, desejos, saudades. Te fito com dor. A luz do abajur faz sombra na tua pilha de livros, que folheei um dia e quis pedir emprestado mesmo sabendo que não havia intimidade para pedidos. Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás. Retrocessos. Descaminhos. Procuro sinais de algum amor teu. Vestígios de noites passadas. Tu não me vês, estou incógnita a te observar. Como sempre estive, olhando pelas janelas, de longe, coração apertado. Nós poderíamos ser amigos e trocar confidências. Assistiríamos a filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias as tuas paixões e desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem champanhe pela manhã aos beijos num hotel em Paris. Caminharíamos pela beira do Sena, e eu te olharia atenta, numa tentativa indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo até o fim dos meus dias. Ou poderíamos ser apenas o que somos, duas pessoas com uma ligação estranha, sutilezas e asperezas subentendidas, possibilidades de surpresas boas. Ou não. Difícil saber. Bato minhas asas em retirada. Tu dormes, e nos teus sonhos mais secretos, não posso entrar. Embora queira. À distância, permaneço te contemplando. E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro pode acontecer inteiro. Porque tu és o único que habita a minha solidão.”
— Caio Fernando Abreu.

Pode dar na minha cara, mas… [+18]


Posso ser tua puta, mas não vou embora pela manhã.
Posso ser tua cachorra, mas não vou te lamber o saco em todos os momentos.
Posso ser tua piranha, mas que isso envolva sinceridade.
Pode dar na minha cara, mas não perca o respeito por mim além disso.
Pode gozar na minha boca, mas não me diga sentimentos cuspidos.
Pode me enforcar com força, mas não me prenda em teus braços.
Pode me chamar de tua, mas não me pense como uma propriedade qualquer.


Da porta pra dentro, somos só eu e você.
Abro minhas pernas o máximo possível. Grito. Suo. Gemo.


Ordeno. E ordeno ser ordenada.

Sou sua puta. Sua amante. Sua qualquer coisa.

Ali, sou tudo o que nunca fui.

Mete com força.
Goza na minha boca.
Bate na minha cara.


Me faz gozar, não me ligue amanhã e a-gente-se-vê-por-aí. Ou me ligue também.

Dentro da minha alma carrego tantos amores, e desamores, que se eu for contar histórias até minhas palavras mais doces terão um gosto de devassidão.

-Hugo Rodrigues

Ela é perfeita,mas não sabe


Geralmente, eu chego em casa cansado. Jogo minhas roupas pelo chão do quarto e sento no sofá com aquela cara de acabado. Ela chega, me grita atenção e fala como uma doida de como foi seu dia. Eu fico entre um “uhum” e outro. Entre uma risada e outra. Mas fico com olhos e ouvidos bem atentos, como um menininho ouvindo uma história de uma heroína que salvou a cidade e ainda lembrou de passar no mercado para comprar meu iogurte predileto.
Ela me faz massagens quando eu peço. Mas só aceita fazer caso eu prometa fazer nela também. Ela trabalha, estuda, inova em seu visual, malha, prepara a comida e ainda arruma tempo para me amar e me pedir para levá-la ao cinema. Às vezes, eu penso como é louco o amor. No começo, eu passava noites em claro só para descobrir a melhor forma de conseguir ter um encontro com ela. E, hoje, ela é quem me convida. No primeiro encontro, eu passei quase duas horas inteiras me arrumando. Coloquei minha melhor roupa e me encharquei com meu melhor perfume só para agradá-la. Hoje, ele me acha lindo de moletom ou suado após o futebol.
Ela me espera. Ela fica ansiosa para me ver e me liga só para dizer que está com saudades. Ela diz que ama e que morre de tesão por mim. Ela me faz carinhos e arranhões que nunca tive e me beija o corpo inteiro. Quando briga comigo por ciúmes é por medo de me perder.
Ela é perfeita, mas não sabe.
O meu lado possessivo até acha isso bom porque no dia que ela perceber que ela é dez mil vezes melhor do que qualquer mulher nesse mundo, vai querer outro cara dez mil vezes melhor do que eu.
E há vários caras perfeitos por aí.
Mas não sei como, ela se encantou por minha barba mal feita, por minhas piadas sem graça e por meus olhos cansados.
Bendita a sorte a minha.
Até hoje, não sei o que falei para ter roubado a atenção dela. E, se um dia descobrir, falarei o dia inteiro. Trato-a como uma rainha tendo a certeza de que não sou merecedor de um lugar em teu altar. Mas me esforço tanto que ela acha graça até das minhas imperfeições.
Você já parou para pensar na sorte que tem em ser o sonho da mulher dos seus sonhos?
--Hugo Rodrigues 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Despedida - Homenagem aos 113 anos de Cecília Meireles.

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Quero solidão.
-Cecília Meireles

Lua Adversa - Homenagem aos 113 anos de Cecília Meireles.

Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles

Retrato - Homenagem aos 113 anos de Cecília Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
-Cecília Meireles

Motivo - Homenagem aos 113 anos de Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
-Cecília Meireles

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Eu sou matéria.


Quando era costume visitar a igreja, eu ouvia o padre dizer por alto que a Igreja somos "nós". E o que seriamos nós? Carne e osso?

Até pouco tempo nunca me perguntei isso, achei que fosse o tipo de pergunta que não fazemos, mas questionamos - se é que é possível - a nós mesmos desde sempre, e quando eu digo "sempre", quero dizer desde o surgimento da humanidade, antes mesmo de Jesus. Esta pergunta nos atormenta antes mesmo do surgimento das leis do certo e do errado.

Adão e Eva certamente não sabiam quem eram, não poderiam ser só barro e costela. Nem mesmo o primeiro primata, ou a primeira bactéria - depende do que você acredita - sabiam o que eram. Como posso saber eu?

Quem sou?

Carne e o osso?

Não. Sou mais do que matéria.

Sei que ocupo espaço, - ás vezes acho até que essa é minha única função - sei também que partículas de oxigênios estão se movimentando aqui dentro. Mas é somente o que a ciência diz? É somente matéria e ocupação de metro quadrado?

Não. Eu não sou só matéria.

Eu sou alma impulsionada a liberdade. Eu tenho o grito embolado no nó da garganta, sou o Sol que queima o coração. Cada batida por segundo tem um pouco de alma. O que é alma?

Possui matéria?                                               

Eu não sou só matéria!                                    

Eu sou o que criaram de tão mal grado, tenho como eu as feridas no punho que hoje cerro

inconscientemente. Este é o lado obscuro, o mais atraente aos olhos. O pecado sou eu.

Eu sou cada sorriso distribuído e renegado, sou o sabor salgado de lágrimas doentias. Tenho como eu o sofrimento e o prazer, lado a lado.

Sou carne e osso?

Se as vezes tenho vontade de arrancar o coração do lugar é somente para vê-lo sangrar e, assim, me sentir viva. "Pois a liberdade é como o Sol, é o bem maior do mundo". E eu sou alma impulsionada a liberdade, sou matéria, sou carne e osso e sou o que criaram de tão mal grado.

Eu sou o que habita em mim.

Eu sou a criação.


Gabriela Andrade.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Eu sabia que não seria fácil,afinal,nenhuma perda na vida é fácil.


Eu sabia que não seria fácil,afinal,nenhuma perda na vida é fácil.Por mais que essa perda seja considerada libertadora. Eu me dei o direito de enxergar como minha vida era antes de tudo começar, depois que tudo começou e agora quando acabou,e olha, apesar da tristeza que corroê o meu peito,apesar da vontade de voltar atrás me destruir e o arrependimento me enfraquecer,apesar de todos os por quês,de todos os pros e todos os contras,eu to aqui,firme e forte,um dia de cada vez,tentando me reabilitar desse amor que ao mesmo tempo que me fez bem também me fez mal.

A saudade?Há,essa ai corta feito navalha,machuca que só.Mas todos os dias eu digo a mim mesmo:Eu sou forte.Mas será que sou mesmo? Até que ponto eu sou forte?Eu sinceramente não sei,é como se eu me desafiasse todos os dias,o tempo todo,sempre ultrapassando medo,saudade,agonia,todo sentimento emaranhado dentro de mim,que sou tão pequena,tão serena,tão frágil.

 E tentar não é mais uma escolha,não está na minha lista de ano novo,nem nos meus planos para o futuro,mas eu não me sinto um fracasso,não mesmo,eu tenho a plena consciência de que eu tente,uma,duas,três vezes até que meu subconsciente acordou e disse:pera ai garota,o que você ta fazendo da sua vida? É isso mesmo que você quer para si? É isso o que te impede de conquistar seus sonhos? Seus sonhos de menina? Acorda querida,Hello,Vai deixar tudo pra trás e insistir numa coisa que não te faz feliz? Que só te faz chorar igual uma garotinha que perdeu a boneca preferida? NÃO,obvio que não,você é melhor que isso.


E foi ai,exatamente ai quando eu me libertei,acordei a grande mulher que eu tinha esquecido que era,que adormeceu por tanto tempo.


Sentir saudade faz parte,afinal,sou humana,mas se você vai alimentar essa saudade aííí,é outro assunto.


Laryssa Carsi
Amo escrever,por incrível que pareça,eu nunca tinha terminado de ler um livro sequer até meus 18 anos.Sou estudante de psicologia,por ironia do destino.Adoro escrever poemas e o que vier a minha cabeça.Sou geminiana,adoro bater papo e conhecer novas pessoas,comunicativa e me adapto a todo tipo de ambiente e pessoas.Adoro ouvir uma boa história,então,se você tem uma história boa para contar,estou ansiosa para ouvi-la.Sou sincera e irônica as vezes.Não gosto que mintam para mim,mas as vezes é preciso mentir para ter o tal "jogo de cintura".Amo as artes,desde a escrita,música, até arte pintada e esculpida em quadros,paredes e tecidos.
@laryssacarsi