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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Não, meu coração não é maior que o mundo.

“Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo, por isso me grito, por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias: preciso de todos. Sim, meu coração é muito pequeno. Só agora vejo que nele não cabem os homens. Os homens estão cá fora, estão na rua. A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava. Mas também a rua não cabe todos os homens. A rua é menor que o mundo. O mundo é grande. Tu sabes como é grande o mundo. Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão. Viste as diferentes cores dos homens, as diferentes dores dos homens, sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso num só peito de homem… sem que ele estale. Fecha os olhos e esquece. Escuta a água nos vidros, tão calma, não anuncia nada. Entretanto escorre nas mãos, tão calma! Vai inundando tudo… Renascerão as cidades submersas? Os homens submersos – voltarão? Meu coração não sabe. Estúpido, ridículo e frágil é meu coração. Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas. (Na solidão de indivíduo desaprendi a linguagem com que homens se comunicam.) Outrora escutei os anjos, as sonatas, os poemas, as confissões patéticas. Nunca escutei voz de gente. Em verdade sou muito pobre. Outrora viajei países imaginários, fáceis de habitar, ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio. Meus amigos foram às ilhas. Ilhas perdem o homem. Entretanto alguns se salvaram e trouxeram a notícia de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias, entre o fogo e o amor. Então, meu coração também pode crescer. Entre o amor e o fogo, entre a vida e o fogo, meu coração cresce dez metros e explode.”
— Carlos Drummond de Andrade.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Eu não sei o que você já enfrentou nessa vida.



“Eu não sei o que você já enfrentou nessa vida. Não sei quantas vezes você se encontrou caído no chão, sozinho, sem ninguém pra te ajudar a levantar. Não sei quantos tropeços te deram. Não sei das tuas dores e cicatrizes. E você não precisa me contar se não quiser. Eu entendo. Talvez não sinta exatamente o mesmo, porque isso seria impossível, mas juro que entendo. Eu olho pra você e me vejo. Seus olhos cansados se parecem tanto com os meus. Sua boca, que pronuncia as palavras tão calmas, lembra a minha. E eu sei que atrás do teu sorriso se enconde vários não-sorrisos, assim como o meu. Eu sei que na tua brincadeira se esconde uma vontade de chorar baixinho, calado, sem plateia alguma que possa te julgar. Eu sei também que no seu “não foi nada”, existem vários “tudos” que ninguém nunca para pra escutar. Acredite, eu sei como é. Sei como é você gritar calado por um pedido de socorro e todos te olharem e simplesmente passarem reto. Mas, olha, eu queria te dizer que eu não vou ser mais uma dessas. Sei que talvez, agora, você não acredite. Eu também não acreditaria, mas vou te provar que vai ser diferente. Não vou te abandonar na primeira dificuldade. Não vou te julgar ou te deixar pra trás. Eu já estive no seu lugar e, vez ou outra, me deparo voltando para o mesmo. E ninguém nunca foi capaz de me escutar mais do que cinco minutos e dizer tudo isso que eu estou te dizendo agora. Ninguém nunca foi por mim o que eu estou sendo por você. Isso não é uma troca de favores. Estou aqui porque o meu coração quer estar. Então vem, segura a minha mão. Agora aperta e não solta. Estamos juntos nessa.”
— Capitule

Aos 14 eu conheci a garota mais linda da minha cidade.

“Aos 14 eu conheci a garota mais linda da minha cidade. Aos 15 nós tivemos uma briga terrível e não nos falamos por 1 ano. Aos 16, reencontrei ela em um supermercado, 5 minutos de conversa e eu me vi apaixonado. Aos 17 eu comecei a namorar com a garota mais bonita da cidade. Aos 22 eu fiquei noivo da mulher mais linda do país. Aos 25 eu estava casado com a mulher mais linda do mundo. Aos 27 eu tive um filho com a mulher mais madura que já conheci. Aos 29 eu tive uma filha, a filha mais linda da cidade. Aos 40 eu fiz 15 anos de casado com a mulher mais interessante do universo. Aos 50 eu percebi que nunca tinha tido olhos para outra, nesse mesmo ano, eu percebi que eu era um homem realizado. Aos 60 eu vi a mulher mais linda do mundo continuar sendo a mulher mais interessante do universo. Aos 76 eu senti falta dessa mulher a mulher mais incrível do mundo, agora só existia em fotografias. Aos 78 eu senti que não tinha mais vida sem ela; nesse mesmo ano, eu me entreguei para viver a eternidade ao lado dela, seja lá onde fosse.”
— Desconhecido 

quarta-feira, 12 de março de 2014

E se eu te falar que estou com medo.



“E se eu te falar que estou com medo, você vem me proteger dos males? Se eu falar que choro a noite, você vem enxugar minhas lágrimas? Se eu disser que preciso do seu abraço, você cruza o mundo só pra me dar? Se eu cair, me levanta? Se eu pedir que vá embora, você fica? Se eu não falar contigo o dia todo, puxa qualquer assunto? E se num ataque de histeria eu falar coisas que não devia, dá para não se zangar? Se eu começar a me afastar, segura meu braço bem forte e não me deixa ir? E se você começar a se afastar de mim, permita que eu te segure? Se eu for falar algo, nem que seja palhaçada, não me ignore? Se eu falar pra confiar em mim, confia de verdade, não minta nem omita? E quando eu disser que te amo, por favor, demonstre que me ama também? Talvez você não cumpra tudo o que pedi, mas espero mesmo que não me deixe ficar sem você, que não desista de mim.”
— Epístolas para Ben.